Antes mesmo de ler as Brumas de Avalon ou de estudar magia e algumas ciências, minha mãe já me ensinava a cuidar muito do que eu pensava e principalmente falava. "Palavra tem poder", dizia ela certas vezes, "desejos acontecem", dizia outras tantas, mas para a mente de uma menina de 5 anos, era algo tão estranho.
Sempre acreditei nas palavras dela, mas geralmente não seguia, algumas vezes eu até tentava e aos poucos, com o passar do tempo, essas frases se incorporaram a mim, como tatuagem.
Quando olho para trás, vejo que a maior parte, senão toda, da minha vida foi exatamente uma reprodução dos meus desejos e sonhos pueris e das minhas belas e terríveis afirmações. Não podia reclamar das consequências, pois sabia que havia escolhido cada semente, mesmo sem saber que frutos elas poderiam dar.
E hoje consigo algo que desejo bem mais rápido que antes, e não sei por que ainda me surpreendo quando isso acontece.
Eu o desejei, inicialmente com uma curiosidade quase adolescente para descobrir quem era aquele ser que me fazia rir tanto e ao mesmo tempo refletir na vida; depois com um desejo de mulher, a mulher que ainda é desconhecida de mim, mas que a cada dia se mostra um pouco. E a voz dela sussurrava em minha mente: "Entregue-se, pelo menos dessa vez, sem medo, viva cada dia de uma vez".
Nunca havia desejado um homem sem a intenção de me vingar pelo "mal" que alguns homens anteriores me provocaram e dessa vez, algo era diferente, acho que eu mesma.
Desejei, não apenas o corpo, não a alma, mas a união, não de dois, mas dos cinco elementos.
Serra, mata, noite de lua e estrelas, fogueira, mina de água cristalina, terra morna, brisa suave, cheiro de ervas, masculino, feminino, encontro, entrega, felicidade, liberdade. Mais um desejo realizado que levou a outros desejos.
Uma iniciação, a descoberta da mulher, não a filha obediente, nem a irmã cúmplice, não a mãe educadora, simplesmente mulher, companheira, compreensiva, sincera, forte, corajosa, amiga, amante, donzela e bruxa e quem sabe um dia a velha, mas essa será outra história.
29 de outubro de 2009
2 de outubro de 2009

Aprendi a gostar do barulho, das pessoas correndo noite e dia, dos carros lentos pelas largas avenidas, do céu cinzento e da garoa que beija meu rosto nas manhãs.
Aprendi a gostar do céu de um azul estranho por causa da poluição, das pessoas desconfiadas umas das outras, tenho aprendido até a desconfiar.
Aprendi a ter compaixão ao ver um pedinte pela rua, mesmo sabendo que às vezes ele mente ter alguma deficiência física, a escutar o coração cheio de sonhos e desejos das pessoas que passam apressadas e estressadas.
Aprendi a amar cada pedaço dessa cidade e de todos os elementos que fazem parte dela, São Paulo pode ser difícil e como tudo que é difícil, também é um desafio, uma oportunidade, aquela paixão proibida que você tenta conquistar todos os dias.
Conheci pessoas de todos os tipos, acredito que até fiz alguns bons amigos.
E pela primeira vez tive vontade de fincar raízes em algum solo.
A única coisa que sinto falta é a natureza, não parques lotados de gente tentando descansar, mas falta das matas e principalmente da Lua Cheia, como está hoje a noite e que aparece amarelada cercada de nuvens de fumaça, seu brilho parece tentar me encontrar, pois sabe que sou fiel a ela, esteja onde estiver, hoje ela me fita meio apagada, solitária no céu, afinal aqui o único brilho é de Venus, não temos mais estrelas.
Sinto falta de acender uma fogueira, deitar na terra quente e passar a noite olhando para a lua, do barulho do rio, do vento morno acariciando minha pele.
Mas nem tudo pode ser perfeito e nessa vida cheia de escolhas, tento aprender a viver o presente, mesmo que o presente seja apenas olhar a lua pela janela do ônibus ou enquanto caminho despreocupada, tentando entender por que sempre desejamos mais.
22 de agosto de 2009
Apenas 10 dias de curso.
O lugar? uma fazenda no interior do Rio de Janeiro, no meio das serras, às margens de um riacho.
Os horário? Acordar as 04 da manhã e praticar a técnica de meditação deixada por Sidarta Gautama até as 21:00h, com intervalos para café-da-manhã, almoço e lanche.
No início parece coisa de louco, só maluco faria algo assim e no final você descobre que é preciso muita coragem para enfrentar a própria mente, os medos, os desejos e descobre que não é necessário sofrer, descobre a causa do sofrimento e como eliminá-lo de sua vida.
Não é milagre, aliás nem é necessário acreditar em Deus, não importa suas crenças ou religiões, é só você acreditar em você, descobrir-se e aceitar-se. A técnica é simples, só observar (Vipassana), mas a prática é para os corajosos.
E no final do nono dia você já está toneladas mais leve, feliz em paz e harmonia.
Aprendemos Anicca (impermanência), no início parece tudo muito óbvio, afinal sabemos que tudo passa, que tudo é impermanente, mas ainda sofremos e aos poucos, após várias experiências você tem certeza e o sofrimento se vai.
Quem quiser experimentar o site é tudo é muito bem organizado e é gratuito.
Paz, amor e harmonia a todos, aos poucos estou voltando.
BE HAPPY
31 de julho de 2009

Não sei se foi o fato de ter chovido torrencialmente a noite inteira ou se foi a dor intensa no pescoço que não me deixou descansar.
Mas ao levantar e sair para o trabalho me deparo com um lindo arco-íris, cruzando o céu de uma ponta a outra, com cores fortes e bem definida, uma ponte entre a briga do sol e das nuvens densas.
Lembrei-me de quando era criança e vivia correndo atrás de um arco-íris para passar embaixo dele, não, não era para encontrar um duende com pote de ouro, na cidade onde eu morava diziam que quando atravessávamos um arco-íris mudava nosso sexo. Sorri com a lembrança, como eu queria ser um menino, na ilusão de que homens podem fazer tudo o que querem sem ser cobrados e que talvez não teria sofrido algumas coisas se eu fosse homem.
Esse desejo ficou em minha mente, cutucando todo o meu dia e tudo que eu olhava parecia tão diferente e estranho.
Que tipo de mulher eu me tornei? Essa pergunta revirava em minha mente. Que tipo de mulher eu quero ser?
E ao olhar o mundo a minha volta, parecia que o via pela última vez. Vocês já tiveram essa sensação, de olhar para as pessoas, paisagem em volta e ter a certeza que os veria pela última vez?
Não a última vez de quem terá uma morte física e será enterrado ou cremado, mas pelo simples fato de perceber que tudo muda, em segundos, mesmo que chova, um dia a chuva passa, o sol aparece, as árvores secam, as pessoas trocam de roupa, mudam o cabelo, a vida modifica de um jeito simples e eterno. Olhar para o mundo e ver que ele morre e que a morte é só uma transformação para a vida e por uma fração de segundos, perceber que se está vivo, dar um sorriso sem motivo e se sentir dono de si mesmo.
A noite fui ao cinema assistir um filme chamado Paris, coincidência ou não, ele me mostrou a sensação do dia.
Caminhei lentamente de volta para casa, respirando a garoa da noite, sorrindo para as luzes da cidade, olhando para trás via parte de mim que havia mudado naquele dia, uma tristeza me encheu, sim, ainda sou apegada ao meu ego, mas sinto que parte dele se dissolve aos poucos.
Um dia eu morrerei e voltarei a viver.
15 de julho de 2009
Ela acordou com a gargalhada de sua professora dizendo: Acorda!!!
Não um simples acorda, para tirá-la da cama, mas aquele acorda, querendo despertá-la para vida.
Sabia que estava saindo de um pesadelo, não se lembrava de quando entrou naquele ciclo vicioso, na escuridão dos dias que a estavam levando para a morte, o tipo de morte que ela mais temia, a morte de sua alma.
Mas parece que não seria dessa vez, depois que voltou a estudar, começou a se descobrir e a cada aula, aprendia a sentar e conversar com sua raiva, com seus medos e inseguranças e talvez nada ou ninguém tivesse sido tão bons professores.
Hoje, ela se levantou devagar, ainda lembrando-se das gargalhadas de sua mentora, lá fora a sombra ia se dispersando e lá dentro raios de luz começavam a preencher o vazio que a meditação trazia.
"Obrigada por mais um dia", ela agradeceu e meditou
E ao sair de casa, respirou suavemente a garoa que caia fina sobre a cidade e sorriu para as árvores e pássaros, sem sonhar com nada, sem desejar nada, pois tinha a certeza que o melhor ela carregava dentro de si.
30 de junho de 2009
Todos os dias aparecem muitas oportunidades em nossa vida, basta estar atento e aproveitá-las ou deixar o dia cair em uma rotina sem fim.
Essa história é para aquele que sabe aproveitar as oportunidades e que em um dia como outro qualquer conseguiu me despertar para alegria de viver.
Sexta-feira, o dia já começa diferente. Eu trabalharia em um outro lugar e começaria mais tarde. De certa forma sabia o que me esperava, mas as expectativas sempre aparecem quando sei que farei algo diferente, erradas expectativas por sinal. Minhas amigas que haviam feito esse trabalho antes de mim me disseram: "Gi, na sexta você conhecerá sua alma-gêmea, você vai se apaixonar por ele." Entendi aquilo como um recado de que iria conhecer alguém alegre, divertido e encantador como eu.
10:00h Tudo vazio, o tempo passava devagar e nada dele chegar;
11:00h Apenas solidão, e um pouquinho de dúvida. "Hoje ele não virá";
12:00h Eis que um par de olhos azuis opacos invade a sala, um nariz tão vermelho quanto um tomate e um sorriso capaz de afastar qualquer tempestade. E quando meu olhar cruzou o dele, eu entendi o que minhas amigas queriam me dizer.
Não sei se é possível explicar, acho que surpresa e encanto dariam uma certa noção do que senti. Como se já conhecesse aquele palhaço há séculos. "Palhaço não, sou doutor em besteirologia e pHD em idiotice plena", Dr. PBM (uma sigla para não revelar o nome).
E o dia passou rapidamente, piadas, histórias alegres, tristes, mas lindas, de alguém que precisou sofrer um bocado para aprender a aceitar a felicidade e que aprendeu a fazer o próximo sorrir. Encantador, alguém que com seu sorriso e olhar encanta o outro e faz o outro pensar que a vida pode ser mais do que um sonho, mas que começa com o ato de sonhar.
A vontade de ficar ali para sempre tomou conta de mim. Vontade de descobrir o homem por trás daquela máscara, de descobrir as dores de sua alma e de retribuir todo o encanto que me deu. Vontade de abraçar, conversar, beijar e de repente: "O que aconteceu comigo?"
Hora de dizer adeus e passar o resto da noite pensando naquele olhar, passar o outro dia esperando o telefone tocar e esperar mais um dia para talvez poder vê-lo de longe.
O bom de sonhar é ver o sonho se realizar, paciência faz parte da conquista, é como plantar uma semente e cuidar até a árvore crescer e dar frutos. Valeu a pena esperar e depois de tantos sonhos pude sentir aquele cheiro de novo, me perder em seus braços, me encontrar em seus beijos e me permitir estar feliz mais uma vez, mas dessa vez, sem expectativas ou encanações, apenas desejos e sonhos.
23 de junho de 2009
A escuridão atingiu seu ápice, as trevas dominaram, e o solstício de inverno trouxe a noite mais longa do ano. Chegou a época do renascimento do sol, a cada dia ele tem mais força até atingir seu apogeu no solstício de verão.
O Solstício de inverno no hemisfério norte marca o nascimento dos messias como Mitras, Jesus, são entidades do Sol, os que vieram trazer a salvação.
Aproveitem a energia do inverno, a energia do renascimento, onde a terra transformará as folhas caídas no outono para se fertilizar, onde os animais se recolhem, a oportunidade de se renovar.
Feliz Solstício a todos, vou hibernar.
